2008 se foi há algumas horas, deixando, como todo bom ano faz, um belo legado para seu substituto. Foi, sem dúvidas, o melhor ano da minha vida e também aquele em que mais aprendi sobre o mundo e sobre como me relaciono com ele e seus habitantes. Eis, a seguir, uma retrospectiva reflexiva das lições de mais um ano de vida - um post bem pessoal, mas com alguma mensagem, espero eu.
Foi assim: no primeiro dia, escrevi como seria 2008 e, no segundo, vi que não seria nada daquilo. Falei que ia blogar mais e escrever muito para cá, mas jamais bloguei tão pouco. Prometi a mim mesmo me dedicar menos à faculdade, o que até fiz, mas muito mais por falta de tempo do que por vontade própria - como deveria ser. Curti muito a vida, aprendi a ter amigos, a ter colegas de trabalho, a ter uma rotina, a ter momentos certos para as coisas. E, bom, queria trabalhar muito - e nesse quesito, me superei. Oh yeah!
Imagina a cena: você quer ser jornalista e, para tal, participa de um processo seletivo para ser estagiário de um grande jornal. Acaba virando repórter freelancer dele e, logo em sua primeira incursão naquelas páginas, assina a capa do caderno - algo que aparentava ser bem complicado de se conseguir. O trabalho rende e gera proposta de novas matérias. Há o convite para ser contratado. Qual a resposta?
Em todos os meus sonhos e planos, um óbvio e gigantesco SIM. Na realidade, recusei. Na mesma semana que me convidaram para trabalhar lá, estava lançando a Blog Content, minha própria empresa, em um universo que não era exatamente jornalístico. Uma aposta que ia contra até o meu projeto de vida e que me fez tremer na hora de dar o derradeiro “não, obrigado”. E foi isso que 2008 me ensinou: não sabemos porcaria nenhuma de nossas vidas, nem mesmo o que é bom ou ruim. O que é ótimo.
Digo isso porque, se eu tivesse sido contratado como estagiário desse jornal (ou em qualquer outro trabalho), dificilmente teria sido convidado para a BlogContent e, assim, não seria sócio da Polvora!, a empresa que me fez repensar o que eu queria da vida. Assim, perder o prazo daquela prova online do estágio que todos apontavam como “feito para mim” não parece ser tão ruim, né?
A imagem que eu tinha da minha carreira mudou - pudera, passei a trabalhar efetivamente com blogs, em uma atividade que contempla várias áreas da comunicação social, do jornalismo à publicidade, passando por RP. Experimentei o gosto de entrevistar e de ser entrevistado, uma experiência curiosa.
É peculiar para o jornalista ser fonte, e em 2008 me vi por diversas vezes nessa posição. Eu, que sempre gostei de perguntar, tive que responder - falando com marca de corte, já pensando no que teria mais valor-notícia e nas frases que você aproveitaria no final caso fosse o repórter.
Nunca tinha trabalhado regularmente na vida - só havia feito frilas. Comecei a trabalhar e gostei da coisa, do espírito de equipe, do empenho incrível de todo mundo para fazer a empresa dar certo. Encontrei malucos que sonhavam exatamente com a mesma coisa que eu, ainda que não fosse exatamente ser um bom repórter. O bom dos sonhos é que, de tão livres, aparentam ter uma forma, quando na verdade não passam de essência. O que a gente busca sempre é um sentimento, não uma posição, situação ou objeto.
E procurando entender os sentimentos, descobri amigos de verdade, que amo como se fossem minha família. Aprendi a dividir esses sentimentos - algo que, acredite, eu nunca havia feito de verdade antes -, o que mudou um tanto meu modo de encarar a vida. Poucas vezes me senti sozinho, mesmo ainda não tendo encontrado a mulher certa - e esbarrado por aí com umas bem erradas, mas ainda assim incríveis. Vai saber o que é certo, né?!
Me esforcei bastante para conseguir ir ao show do Maroon 5, a banda que me acompanhou durante a adolescência (pois é!). No palco, descobri que nem gostava mais deles. Bom sinal.
As coisas mudaram, muito, de várias formas. Minha vida virou de ponta-cabeça e ficou de uma forma que eu não imaginava, mas que hoje amo como se não houvesse outro jeito de viver.
Amanhã amarei outras coisas, terei novos planos, sonharei com momentos ainda mais malucos. Afinal, viver é isso: mudar, descobrir. Intensamente, apaixonadamente.
Obrigado, 2008, por ter me ensinado essa lição, por mais complicada que tenha sido.
E nada de fazer um “Como será 2009″, com previsões imprecisas daquilo que eu vejo como futuro - por mais que sejamos míopes para tal. Fica o desejo profético: 2009 será o melhor ano de nossas vidas. De um jeito ou de outro.
“Raios e trovões!”. “Por Merlin, bate!”. “Cruj, Cruj, Cruj, tchau”. “Senta, que lá vem história”. “Vamos todos juntos, na turma do Pateta”. “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando…”. “Hakuna matata, isso é viver!”. “Parem, parem tudo. Estão ouvindo esse som? Ele quer dizer que está na hora do…” “Tio Ted, Tio Ted!”. “Onde tudo pode acontecer…”. “Mexe, mexe, mexe com as mãos”. “Não é a mamãe!”, “Pokébola, vai!”. “Um beijo para minha mãe, para meu pai e outro para você”. “É hora de morfar!”. “Patty, você é minha maionese”. “Meteoro de Pégasus!”. “Tá na mesa pessoal!”
Se você cresceu nos anos 90, certamente várias dessas frases marcaram a sua infância - é o meu caso. São bordões que toda criança repetiu e que deram um toque especial aos momentos em frente à televisão - e que, aposto, ainda animam toda a vez que são ditos.
Afinal, uma das coisas mais divertidas depois de uma certa idade (na verdade, desde quando você passa a ter recordações) é relembrar a infância - e suas “transformações” da realidade, que fazem as coisas mais toscas parecerem fantásticas.
Deve ser por isso que quase pirei quando vi o Almanaque dos Anos 90 a venda, na FNAC. Estava lá para matar o tempo enquanto aguardava para ir a um evento. Acabei chegando atrasado, porque não conseguia largar o livro escrito por Silvio Essinger.
Nunca havia entendido direito a euforia em torno dos anos 80 até relar nesse livro que retrata a década em que cresci. Fiquei tão animado com as lembranças que ele me trouxe, que pedi uma cópia à Ediouro, que gentilmente me enviou. O livro é ótimo e te surpreenderá com coisas que você já amou, mas que nem lembrava que existia.
É o caso de alguns dos programas que relatarei abaixo. O autor do livro esqueceu de alguns deles ou não se estendeu muito a respeito. Mas, fala sério, nada como quem foi criança nos anos 90 para relembrar, não é mesmo?
Clássicos contemporâneos, os programas infantis da década passada misturaram entretenimento com educação, conquistando diversos prêmios e o coração da molecada - mesmo quando já nem parecem mais tão moleques assim.
Personagens carismáticos de desenhos animados ganharam ainda mais vida com a popularização da TV a cabo e a boa safra de programas infantis.
Foram hits dos anos 90 personagens como Doug Funnie (“Doug”); Timão e Pumba (“Timão e Pumba”); Pateta e Max (“A Turma do Pateta”); Marsupilami (“Marsupilami”); Bob (“O Fantástico Mundo de Bob”); Babar (“As Avanturas de Babar”); Ash e Pikachu (“Pokémon”); Seiya (“Os Cavaleiros do Zodíaco”); Sailor (“Sailor Moon”); Goku e Gohan (”Dragon Ball“); Inspetor Bugiganga (“Inspetor Bugiganga”); Tommy (“Rugrats – Os anjinhos”); Pernalonga, Piu-piu e cia (“Looney Tunes”); Pinky e Cérebro (“Animaniacs”, “Pinky e o Cérebro”); Pica-pau (“Pica-Pau”); Tom e Jerry (“Tom & Jerry”); Valente e Ternura (“Os Ursinhos Carinhosos”); Meena (“Meena”); Tintin (“As Aventuras de Tintin”); Dexter, Jonny Bravo e cia (“O Laboratório do Dexter”). Doug, Pateta, Bob, Babar, Pikachu, Inspetor Bugiganga, Tommy e Tom e Jerry eram meus favoritos.
Na apresentação dos programas e dos desenhos, personalidades que até hoje estrelam em nossa televisão. Xuxa decolava com seu “Xou da Xuxa” no começo da década. Em 1994, a “rainha dos baixinhos” estreou seu “Xuxa Park”, que permaneceu no ar com sucesso até 2001, quando o estúdio do programa sofreu um incêndio. Em 1997, Xuxa apresentou, pela primeira vez, um programa para os que já haviam crescido: o bem-sucedido “Planeta Xuxa”, derivado de um quadro do “Park”.
A Xuxa marcou época, mas nunca me convenceu. Afinal, minha loura preferida era a outra: Angélica, que surgiu e conquistou a posição de estrela nos anos 90. Na TV Manchete, apresentou o seu primeiro programa, o infantil “Milk Shake”. Em 93, foi para o SBT comandar a “Casa da Angélica”, que a consagrou com ídolo das crianças. Por lá, ela ainda apresentou o “Passa ou Repassa” e a “TV Animal”. Mas foi na TV Globo que a loirinha representou um dos personagens mais queridos da infância dos que nasceram nos anos 90 - disparado minha atração favorita da TV -, a Fada Bela, protagonista da novelinha “Caça Talentos”, transmitida dentro do programa “Angel Mix”, que estreou em 1996. É da Fada Bela os bordões “Por Merlin!” e “Bate”, além de canções que grudavam na cabeça, como “Fada Bela” e “Dança da Fadinha”. Angélica também fez sucesso com seus CDs e filmes - que eu comprava e assistia em pré-estréia, sem exceção.
Outra loirinha que também servia de babá-eletrônica – na definição de Silvio Essinger, no “Almanaque dos Anos 90” -, foi a Eliana, que comandou no SBT a “Sessão Desenho” e o “Bom Dia & Cia”, entre outros. Neste último, ela se consagrou como ídolo infantil ao conquistar audiência com desenhos populares e personagens, que interagiam com ela no palco, como Flitz e Melocoton – que, por si só, também fizeram muito sucesso. A música “Os Dedinhos” foi um de seus hits - e todo mundo cantava, lembra? Na Record, emissora em que ainda é apresentadora, apresentou os infantis “Eliana e Alegria” – que se tornou sucesso graças ao desenho “Pokémon” (que me fez gastar uma grana em revistas e Guaraná Antarctica Caçulinha, que vinha com a pokebola!) – e “Eliana no Parque”, que eu já era velho demais para gostar.
Mas o período foi especialmente fértil para as séries infantis. Além de “Caça Talentos”, da Globo, diversos programas que ainda hoje são referência surgiram na época – seguindo na esteira de atrações de boa qualidade dos anos 80, como o “Rá-tim-bum”, que ficou no ar até 1990 e fez sucesso por toda a década (e faz até hoje na Cultura e no Canal Rá-Tim-Bum).
“Glub Glub”, da TV Cultura, apareceu em 1991, mostrando dois peixinhos aprontando aventuras no fundo do mar e contando como era a vida marítima para as crianças.
Também neste ano, em parceria com a TV Globo, a Cultura lançava a série “Mundo da Lua”, protagonizada pelo sonhador menino Lucas Silva e Silva e com elenco de peso. A série fez muito sucesso com públicos de diversas idades e conseguiu misturar educação, situação familiar e diversão em um só programa. Como eu queria ter aquele gravador!
Já na “TV Colosso”, da Globo, eram os cachorros que dominavam. Na série, de 1993, a sheep dog Priscila era a produtora de um canal de TV voltado para os cachorros, mostrando o dia-a-dia da emissora, seus programas e funcionários. Um grande sucesso, que possui um saudoso fã-clube ainda hoje. Em 2008, o programa “Mais Você”, da Globo, trouxe de volta os personagens em um especial de dia das crianças, aumentando os boatos de que a emissora pretende voltar com o show, que saiu do ar em 1996 - o que já foi desmentido pela emissora. Até tive um LP deles (sim, éle pê!), mas nunca gostei taaanto assim.
A série de maior sucesso da década, entretanto, era comandada por uma família de bruxos! O “Castelo Rá-Tim-Bum” estreou em 1994 na TV Cultura e se tornou um dos maiores fenômenos de audiência do canal e um dos programas infantis mais premiados do Brasil. Misturando diversão, magia e conteúdo cultural e educacional, o “Castelo” contava a história do menino Nino, um jovem bruxo de “apenas” 300 anos de idade, e seus amigos humanos, Zequinha, Pedro e Biba. Havia ainda o feiticeiro Dr. Victor e a bruxa Morgana – interpretados por Sérgio Mamberti e Rosi Campos-, os cientistas gêmeos Tíbio e Perônio, as fadinhas do lustre Lana e Lara e o “tira-dúvidas” Telekid (vivido por Marcelo Tas), além do vilão Dr. Abobrinha e dos amigos que sempre visitavam o castelo: Penélope - uma jornalista -, Bongô – um entregador de pizza -, Etevaldo – um ET atrapalhado e a Caipora – a figura folclórica. Com relógios, gatos, ratos, pássaros e cobras falantes, monstros que habitavam o encanamento e um universo mágico, a série conseguiu atrair audiência e sucesso ao decorrer da década, figurando ainda hoje como um dos programas mais vistos da TV Cultura. Eu ainda paro para ver na TV e fico todo bobo com o episódio da Rádio Ra-tim-bum, que me fazia sonhar em ter uma rádio amadora só minha (sim, sempre tive paixão por comunicação! haha).
Em 1996, a Cultura estreou outra série de sucesso: “Cocoricó”, com bonecos de manipulação, que conta a vida de Júlio, um menino que vai morar no sítio dos avós e cria amizade com os divertidos e falantes animais do local – como as galinhas Lola, Zazá e Lilica, a vaca Mimosa, os papagaios Kiko e Caco e o cavalo Alípio. Ainda é um dos produtos mais rentáveis da emissora e, confesso, me dá um certo orgulho presentear meus priminhos com DVDs da série.
No SBT, além das novelas mexicanas, uma brasileira se destacou, alcançando expressivos índices no Ibope: a adaptação da Argentina “Chiquititas”, que estreou em 1997 misturando música e atuação para contar a história de um orfanato infantil e de seus habitantes, entrando no universo jovem e lançando diversos atores que hoje fazem sucesso na TV, como Fernanda Souza, que interpretava a protagonista, Mili. Musical, a novela lançou vários CDs, que vendiam como água. Eu comprava, assumo.
Programas como o “X-Tudo” (TV Cultura, 1992), o “Agente G” (Record, 1996), a “Vila Esperança” (TV Record, 1998), todos comandados pelo simpático Gérson de Abreu também prenderam as crianças em frente ao televisor. Assistia a todos!
Já o “Hugo Game”, da CNT, apostava na interatividade. Lançado em 1996, era um videogame comandado pelo telefone, em que um telespectador comandava o duende Hugo na busca por salvar sua esposa e filhos de uma terrível bruxa. O legal é que o personagem era tão carismático que, mesmo sendo um jogo, parecia até desenho animado! Tentei diversas vezes ligar para lá, mas nunca consegui… foi quase um trauma!
De fora do país, vieram atrações como a “Família Dinossauro” (Globo, 1992), as “Bananas de Pijamas” (SBT, 1992), os “Power Rangers” (Globo, 1993) e “Teletubbies” (Globo, 1999). E, fala sério, quem nunca brincou de morfar, gritou “querida cheguei” e quis ter o boneco da Ranger rosa, que tinha tanto a cabeça da Kimberly quanto o capacete de Ranger? Eu tinha um grandão e era apaixonado por ela.
E a melhor de todas: “Punky, a Levada da Breca“. A história da menina órfã, seu cachorro e seu pai adotivo foi sucesso nos EUA nos anos 80, mas ainda assim encantou crianças brasileiras no SBT ao decorrer da década de 90. A série virou desenho e tudo, se tornando um dos clássicos da TV mundial. Eu adorava e queria muito ter uma casa na árvore, exatamente como a dela na série! Você não? A Band comprou os direitos da série e deve exibi-la em 2009, com nova dublagem.*
Claro, tinha ainda as séries eternas como o “Chaves” e o “Chapolim“, as reprises do “Sítio“, os já não tão mais engraçados “Os Trapalhões” e apresentadores como Mariane, Mara Maravilha e o ídolo Sérgio Mallandro - além dos mini-dançarinos, como os do grupo Mulekada, que tocavam no Raul Gil.
Aposto que você ficou com o coração apertado de relembrar, né? E tem todos os motivos: foi uma década para pai nenhum botar defeito, não é mesmo?
PS: Fala a verdade, você preferia a Xuxa, a Angélica ou a Eliana? (eu amava a Angélica, gostava da Eliana e odiava a Xuxa!)
PS²: Você percebe que já está ficando velho quando tem um livro contando como foi a década da sua infância, não?
Este post foi atualizado (com edição de texto e acréscimo de imagens) em 27/12/2008 e em 03/12/2009 (com edição de texto e acréscimo dos vídeos).
* Informação acrescentada em 03/12
Poucas coisas são capazes de mexer tanto com um ser humano quanto a música. Afinal, músicas sempre vêm acompanhadas de um batalhão de emoções e lembranças, imediatamente reacendidas ao primeiro acorde. Com canções, revivemos várias experiências e geramos outras, novas. Damos trilha sonora à vida.
As músicas são como títulos dos capítulos que vivemos em uma espécie de sumário sonoro de nossas vidas. São a epígrafe de nossas experiências.
Com a sociedade, acontece o mesmo. Músicas inspiraram e embalaram experiências marcantes por todo o planeta:
“Grândola, Vila Morena”, do cantor português Zeca Afonso, foi o símbolo de uma nova era de liberdade em Portugal na Revolução dos Cravos;
“Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, não ganhou o Festival da Canção de 1968, mas inspirou milhares de brasileiros na luta por liberdade e por mudanças durante a ditadura militar;
“Do They Know It’s Christmas?”, da Band Aid (resultante da união de músicos britânicos e irlandeses), foi o hino anti-fome que reverberou por todo o mundo no histórico concerto Live Aid, em 1984;
“We are the world”, do USA for África (grupo de quarenta e cinco artistas norte-americanos) se tornou, no ano seguinte, 85, o grande o hit contra fome, juntando vozes e levantando fundos para a África;
“Inútil”, do Ultraje a Rigor, deu o tom para a multidão que pedia direito ao voto, em 1984, cantando “a gente não sabemos escolher presidente / a gente não sabemos tomar conta da gente / (…) inútil! / a gente somos inútil!” e consagrando o rock jovem, de protesto, que marcaria a década;
“Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, acompanhou a comoção nacional causada pela agonia e morte do presidente Tancredo Neves - o primeiro presidente civil eleito em mais de 20 anos -, em 1985;
“I Need to Wake Up”, de Melissa Etheridge, ganhou o Oscar de Melhor Canção em 2007, por “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre o aquecimento global. O filme e a música ajudaram a abrir os olhos do planeta para um de seus maiores problemas na atualidade.
Pois é, música sempre está ligada a experiência, seja pessoal, seja global. É muito mais do que a junção de letra e melodia: é união de estados de espírito. Ouvir música é capaz de nos fazer mudar, de nos fazer buscarmos algo melhor. Afinal, só de buscarmos música já fazemos algo de bom para nós mesmos, não?
Por isso, estou indo agora - a convite dos organizadores - para o Planeta Terra Festival, do qual sou embaixador. O tema dessa edição é exatamente esse: “Um festival. Várias experiências”.
Ele, ainda que não represente nenhuma mudança do mundo, é o festival brasileiro mais antenado com uma grande mudança global: os novos caminhos da música - tanto que, no ano passado, dei um duro danado para cobrir o evento para uma matéria com esse tema, e não consegui. Pelos seus palcos passarão artistas como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Vanguart e Mallu Magalhães, que encontraram na web uma forma de potencializarem seus sucessos.
Offspring, Jesus and Mary Chain, Spoon, Foals, Brothers of Brazil, The Breeders, DJ Mau Mau, Sébastien Léger, Mylo e Felix da Housecat, Animal Collective e Curumin completam o line-up deste que promete ser o melhor festival do ano.
Será? Eu vou lá descobrir, mas, se você não tiver ingresso, não se preocupe: o Planeta Terra terá uma transmissão online bem bacana, ao vivo e com apresentação de Sabrina Parlatore, Bárbara Thomaz, Kid Vinil e Daniel Daibem. Começa às 16h e termina lá para as 3h.
Em menos de 8 horas, começará em todo o país a eleição de prefeitos e vereadores. Também será, em municípios sem segundo turno, o fim do tormento que a campanha eleitoral pode ser.
Nas últimas eleições, presidenciais, eu estava em meu ápice de interesse político: era minha primeira eleição obrigatória, o primeiro ano de faculdade - após ter contato com as ciências sociais e seus pensadores - e a primeira cobertura que eu fazia de algo na vida - em blog sobre a disputa eleitoral que criei, o Olhos do Brasil (já fora do ar, por incompetência técnica minha). Cobri debates em tempo real, de dentro dos estúdios de TV, fiz entrevistas exclusivas com os principais candidatos a presidência (menos o Lula, o único que não consegui) e me meti pela primeira vez naquele bolo de jornalistas que a gente vê na TV. Uma puta experiência que deveria ter feito eu gostar ainda mais de política.
Dois anos depois, estou completamente afastado desse assunto. Talvez pelo certo descaso que sempre tive da política municipal, talvez pelos caminhos que a minha carreira têm seguido. Mesmo que apenas como cidadão, passei batido por essas eleições e, faltando tão pouco para votar, ainda elucubro sobre anular ou não meu voto - algo que sempre condenei.
Pode ser falha minha, mas os candidatos certamente não ajudam. Eu voto em Poá, município da Grande São Paulo onde ainda moro, e por lá não tem a Lei da Cidade Limpa. Adivinha? As ruas estão tomadas de banners, faixas, cavaletes… Todo dia tinha panfleto na porta de casa, com coisas toscas como foto do candidato petista junto ao Lula (o que é até normal) e foto de candidato a vereador junto com a Marta Suplicy - que, qual é?, é candidata a prefeita em outra cidade. Adivinha se algum tinha propostas ou coisas do tipo?
A poluição não é apenas visual, mas principalmente sonora: são muitos os carros de som tocando a todo volume paródias bizarras de canções populares, indo de “Bate o pé” (”Roberto Marques pra prefeito é solução / vote 14 na eleição”) a Pererê (”Eduardão para prefeito / é o melhor para Poá / Eduardão é 25 / Melhor do que ele aqui não há”), para ficar nos dois principais candidatos.
Não tivemos debates televisivos (afinal, não TV local da cidade) e os jornais daqui não são dá tão confiáveis. Fica mais fácil, portanto, enganar e manipular o povo. E das maneiras mais oportunistas possíveis: Poá virou um canteiro de obras (como toda cidade em época de eleição municipal) e, pior, a principal festa da cidade recebeu o maior número de artistas famosos da história, um atrás do outro. Foram 19 no total, com nomes como Dominguinhos, Fábio Junior, Capital Inicial, Bruno e Marrone, NX Zero, Paulo Ricardo, Calypso, Edson e Hudson… Não pode ter artista em comícios, mas ninguém falou nada sobre shows pagos pela prefeitura quando o prefeito disputa reeleição, não é mesmo?
Mas se você acha que isso é problema de cidade pequena - que nem tem segundo turno -, pode ficar mais preocupado, já que a situação em São Paulo, capital, não melhora tanto. Fica, claro, menos dramática - felizmente, os olhos do resto do país e principalmente da imprensa afastam os oportunismos mais gritantes (apesar de ter gente prometendo internet sem fio grátis em uma cidade que não tem nem computador em todas as escolas).
Com a legislação municipal, nada de muito barulho ou sujeira nas ruas. Mas tome bandeiradas, carreatas, bicicletas com cavaletes e até anúncios segurados por pessoas. Ainda assim, nada desperta mais atenção do que um candidato a vereador e seus bonecos gigantes. Tem uma versão dele mesmo como boneco de Olinda (pois é!) perambulando a cidade, além de um carro com um gato e cachorro andando por aí, como você pode ver na foto que tirei na Av. Paulista.
Paro por aqui, sem nem citar o horário eleitoral na TV. Precisa?
Nessas eleições, bizarrices não faltaram. Não é por isso, entretanto, que o nosso voto também pode ser bizarro. Pense bem nessas últimas dezesseis horas e meia. Ou então prepare-se para bizarrices muito mais graves no governo de seu município.
A prática do jornalismo muda com as novas mídias. São tantos recursos novos que a profissão está tendo que ser repensada. O programa “Globo News Especial”, do canal Globo News (obviamente), resolveu entrar nessa famigerada discussão - que você já leu neste blog diversas vezes.
Mas nada de “impresso x online”, “jornalistas x blogueiro”, “não há credibilidade na internet x os jornais vão acabar”. O programa comandado pelo experiente repórter Tonico Ferreira recebeu diretores dos três principais jornais do país para falar sobre a revolução das novas mídias e o resultado foi um debate sóbrio e bastante interessante sobre o exercício do jornalismo.
Eleonora de Lucena, diretora-executiva da Folha de S.Paulo; Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado; e Rodolfo Fernandes, diretor de redação de O Globo, foram os convidados da atração, que foi exibida esta semana e que você vê abaixo, na íntegra.
Eles falam de jornalismo colaborativo, blogs, credibilidade, interação, conteúdo multimídia, convergência, integração de redações, profissionais polivalentes, formação dos jornalistas, consumo da informação, necessidade do editor, chegada do e-papper… Vale a pena assistir, especialmente se você estudar ou trabalhar com jornalismo e comunicação.
Como você pôde ver, não são tão “dinossauros” quanto é possível imaginar. Pelo contrário, esses depoimentos até me animaram. Concordo bastante com tudo que foi dito.
E você, também concorda com eles?
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A propósito, O Globo está investindo pesado no seu online como um parceiro do impresso. O conceito é bem bacana: “O GLOBO pretende ser identificado cada vez mais como uma marca que é sinônimo de informação confiável, independentemente do meio onde for veiculada”. O mais interessante é que esse novo posicionamento acontece em um momento em que a circulação dos jornais impressos aumentou no país, bem como as verbas publicitárias destinadas a esse meio.
Assim, “O Globo Online” voltou a ser apenas “O Globo” e o slogan do jornal mudou, agora é bem sugestivo: “Muito além do papel de um jornal”. E ainda prometem incentivar, numa segunda etapa que começa em outubro, a participação do internauta na produção de conteúdos.
O vídeo de divulgação é excelente, conceitua muito bem todo o projeto e o papel dos veículos jornalísticos nessa nova era: “Tem que estar online, on time, full time”. Agora, é torcer para que isso vire realidade.
Faz algum tempo que eu não posto aqui - nem é tanto assim, já fiquei bem mais de duas semanas sem publicar nada. O hiato entre posts é cada vez mais freqüente, mas este não é um pedido de desculpas, tampouco uma promessa de mudanças. É apenas um post, sobre minha relação com este blog.
Você deve saber: hoje, de certo modo, são os blogs que me sustentam. Não virei “blogueiro profissional”, mas os blogs mudaram - ainda que não definitivamente - minha profissão. Profissão lembra obrigação, palavra esta que, sozinha, já causa repulsa. De tanto trabalhar com blogs e falar a respeito, me afastei do meu próprio espaço. Levei a brincadeira a sério demais.
Não costumo ser saudosista, nem seria hipócrita de dizer “blogs não deveriam ser tratados como negócio”. Mas cansei de me preocupar com a data do próximo post, com a queda de audiência que haverá se eu não postar, com qual palavra colocarei no título para os mecanismos de busca me encontrarem, com quando farei aquele post que me comprometi comercial ou editorialmente, sobre como farei o meu texto ficar incrível e demonstrar todas as minhas qualidades, de como trarei um novo ponto de vista, uma informação exclusiva, algo que torne especial aquele simples texto que eu já tinha em minha mente. E na mente ele acaba ficando.
Sabe, de tanto me preocupar com “detalhes” e em fazer algo efetivamente bom, parei de fazer qualquer coisa. Perdi o prazer em brincar. Boa parte dos últimos textos que publiquei foram até penosos, feitos meio por obrigação (comigo mesmo, claro, e com você, leitor, que não tem “nada” a ver com isso – este briga aqui é interna, porque eu adoro que você venha aqui ler!). Eu vendo que blogs precisam ser atualizados, como não vou atualizar o meu?
Não faz sentido algum ter que postar por obrigação. Também não faz sentido se sentir intimidado quando escreve, perder a naturalidade, o gosto da coisa. O escritor não pode ter a sensação de estar distante de sua pena, de seu papel. Eles costumavam ser seus melhores amigos - e amizade não sobrevive apenas com a cobrança de que ela exista.
Vivem reclamando que eu não posto, que não mantenho nada regular. Fizeram post contabilizando minha média de posts / mês e me contaram até que questionaram eu não ter utilizado o tempo que gastei brincando com o OutrOs ÓleOs - a coisa mais pessoal e voluntária que fiz na web em um bom tempo - para atualizar aqui.
Virei pessoa jurídica e assim tem sido por um bom tempo. Ainda que, de fato, eu esteja mais cansado e atarefado do que eu gostaria, o que me faz não escrever é ter a impressão de não ser mais livre para fazer o que eu quiser.
É uma preocupação até tola, sei disso. Um drama danado para nada. Mas só quem escolheu viver de escrever - entre outras coisas, todas ligadas ao texto - sabe como é isso. Ou não, mas… quem se importa?
Este post não teve pé nem cabeça, corrobora a umbigosfera, afastará os leitores acadêmicos que eu supostamente tenho, não educará mercado algum, não será apontado em nenhuma seleção, não me trará anunciantes, não me ajudará a definir meu nicho, não acrescentará porcaria nenhuma para ninguém, não trará pára-quedistas, não fará com que os meus números impressionem mais do que minhas letras, sequer que minhas letras impressionem quem quer que seja. Não me consagrará um grande blogueiro, mas me fará novamente sentir que sou um cara que gosta muito de seu próprio blog. Que nele, pode falar o que quiser – e ser lido, e conversar. Me fará lembrar - ou até mesmo ter certeza, sei lá - de que estes outros olhos continuam sendo meus.
O Teatro Mágico é um espetáculo, um junção de música, poesia, teatro, circo… Com o objetivo de ser um “sarau amplificado”, ele une suas canções e textos a figurinos, cenários, coreografias, acrobacias, palhaçadas. Quando junta tudo numa coisa só, ganha força e mostra porque consegue atrair tanta gente: é no palco que esse teatro mágico de fato acontece.
Já vi vários shows da trupe, peguei várias filas intermináveis e já até fiquei de fora, após mais de 6 horas aguardando por um ingresso (pois é, mas isso quando ainda não tinha visto nenhum show e queria ver mais do que tudo na vida). Fui nas duas Viradas Culturais, ano passado e nesse, ficando no meio das multidões de 40 e 30 mil pessoas, respectivamente, que saíram com o pé detonado após tanto pular e receber pisões.
Fui a tantos shows do “Entrada para Raros” que, em certo momento, ninguém mais queria me acompanhar. De tanto repetir as mesmas músicas e piadas, o TM foi cansando a platéia menos fanática. Consciente disso, tomou uma importante – e acertada - decisão: nesse novo “Segundo ato”, não cantaria nenhum de seus maiores hits, do disco anterior.
A convite do grupo, assisti à estréia da turnê, no Memorial da América Latina, em São Paulo, há cerca de dois meses. De fato, não tinha as canções mais famosas do “Entrada para Raros” – o grupo chegou a brincar, tocando a introdução de algumas delas -, mas elas não fizeram tanta falta assim (na verdade, só me lembro de tocar uma nova versão de “Uma parte que não tinha“, do primeiro álbum).
Quase todas músicas desse novo álbum já eram tocadas na turnê antiga, o que gerou uma transição menos doída, sem tanto estranhamento. Essas canções – como “Pena”, “O Mérito e o Monstro” e “Cidadão de Papelão” -, ganharam novos arranjos e toda uma composição de palco - viraram “números musicais”, como diria algum apresentador brega da TV.
E foi um show de palco - totalmente registrado pelos fãs e disponível no Youtube. A platéia delirou com as representações ainda mais teatrais das músicas – que também ganharam um toque mais rock’n’roll, que empolgou. A energia e o romantismo que fizeram o grupo se destacar nos últimos anos continuavam novamente ali, revigorados.
Novas acrobacias e coreografias ajudaram a renovar o espetáculo visual. Os figurinos estavam muito, muito mais luxuosos e belos, um grande e necessário avanço a essa trupe cada vez menos mambembe.
Ao contrário do CD, no show tudo funciona. A presença de palco do grupo garante isso quando a música não o faz – e são poucas vezes.
Naturalmente, as canções novas ainda não animaram tanto assim, nem tinham força, em sua primeira apresentação “oficial” (com a versão que foram gravadas no disco), para substituir “Realejo”, “Ana e o Mar”, “O anjo mais velho”, “A pedra mais alta”, “Zaluzejo” e companhia, mas também não deixaram o público se desanimar.
O show continua imperdível e há grandes chances de levar novamente o prêmio do Guia da Folha de melhor show do ano – feito conquistado no ano passado. Eu votaria.
Além disso, a lojinha do TM continua lá (com novas camisetas!), ainda tem uma música em que todos sentam e, é claro, a trupe continua descendo para conversar com o público após o show.
Se interessou? Em São Paulo, o próximo show do Teatro Mágico será nos dias 04 e 05 de outubro, no mesmo Memorial da América Latina – boa locação, com palco vazado e espaço para todo mundo sentar e também dançar, sem aperto. Estarei lá!
O Teatro Mágico - Download de Músicas
Sempre admirei o grupo pela forma inteligente que utiliza a internet e consegue mobilizar os fãs. É um dos primeiros e maiores sucessos musicais provenientes da web no Brasil. Duvida?
O CD “Segundo Ato” foi disponibilizado integralmente no Trama Virtual. E adivinha? 60% de todas as músicas baixadas nos meses de junho e julho no site eram da trupe.
Até agora, mais de 550 mil downloads foram feitos no site, um recorde. Para efeito de comparação, no ano passado o mês que mais teve downloads no Trama Virtual, agosto, contou com “apenas” 170 mil downloads no total.
Visitei várias vezes o TOP 100 do site, e por muito tempo, todas as músicas do Teatro Mágico (37 no total, com as canções do primeiro e do novo disco) estavam entre as 40 mais ouvidas – todas do TOP 20 eram deles. Todas continuam entre as 65 mais ouvidas e 11 músicas do TOP 20 são deles.
O que é curioso é que algumas das músicas mais acessadas da trupe no site Letras, um dos mais populares de seu gênero, não costumam tocar nos shows, não estão em nenhum CD – e, conseqüentemente, também não no Trama Virtual. É o caso de “Cuida de Mim”, que ocupa o terceiro lugar, “Eu não sei na verdade quem eu sou”, na quinta posição, “Sobra tanta falta” (8ª) e “Perto de Você” (9ª). Sinal de que continua havendo um grande número de downloads das músicas em outros sites – tem até uma comunidade só para isso no Orkut, com mais de 8 mil membros.
Essas músicas não são necessariamente do Teatro Mágico como um grupo, mas gravações de Fernando Anitelli e de outros membros da trupe, a maioria apenas com voz e violão. Você pode encontrar essas e outras músicas clicando aqui.
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No próximo domingo, na última parte do Especial “O Teatro Mágico”, você confere uma super galeria de fotos desse show e também um vídeo exclusivo e em primeira mão do novo DVD do grupo!
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Claro, não posso deixar de falar das dezenas de comentários no post anterior, criticando minha crítica e até me ofendendo. A todos que usaram argumentos e que foram racionais, agradeço. Aos que xingaram apenas por eu não ter falado 100% bem do CD, peço reflexão: uma das propostas do Teatro Mágico é ser crítico com tudo, inclusive com ele mesmo. É não aceitar por aceitar, ou, como diz a música “não acomodar com o que incomoda”. Ser alienado com o próprio trabalho d’O Teatro Mágico é negar, contradizer e desperdiçar tudo que o Fernando e a trupe pregam. Esse tipo de fanatismo me parece exatamente incompreensão. Pensem nisso.
O Teatro Mágico mudou. Em seu “Segundo Ato”, como bem disse um integrante do grupo, há menos bolas de sabão – que, segundo ele, já ardiam os olhos. A idéia era fazer um CD mais politizado, menos colorido, saindo do “Mundo Mágico de Oz… Osasco” (a piada fraca e batida, repetida em todos os shows, que brinca com a cidade de origem do grupo) e chegando a São Paulo, onde agora fica o escritório da trupe. Pois bem, a convite d’O Teatro Mágico, fui à estréia do novo show, recebi prévia do CD e depois o CD pronto, além de um preview do DVD. Vi e ouvi tudo e posso afirmar: o grupo é outro – e isso não é necessariamente bom.
Vamos por partes – e são várias. Se você é fã do Teatro Mágico, como eu sou há um bom tempo, vai adorar essa série especial de posts sobre o grupo, que será publicada agora e nos próximos dois domingos.
Nessa primeira parte, você verá a crítica do novo CD “Segundo Ato”. No segundo post do especial, no ar no próximo domingo, trarei dados surpreendentes sobre o grupo, minhas impressões sobre o novo show e fotos da apresentação e dos bastidores. No terceiro e último post, dia 24, você verá um vídeo exclusivo com a prévia do DVD, em primeira mão! Vamos começar? Estréia, então, o Estúdio OutrOs OlhOs!
CD - O TEATRO MÁGICO: SEGUNDO ATO
Para ouvir Teatro Mágico, tem que entrar no jogo, acreditar na fantasia que o grupo cria. É música para ouvir com boa vontade, sem compromisso, sem analisar com ouvidos duros, comuns aos críticos. Não é para se levar a sério: são palhaços cantando! O problema é que o grupo e os fãs as vezes se levam e acabam realmente pretensiosos – ou, como dizem, remelentos.
As maiores críticas ao primeiro álbum, “Entrada para Raros”, eram nesse sentido: a pretensão do grupo de ser diferente e mudar tudo era maior do que a qualidade de suas letras e músicas.
Em contrapartida, os sons “coloridos” e um tanto quanto apaixonados da banda, resgatando um universo inocente, em que o amor prevalece e o mundo é perfeito, conquistavam milhares de “raros” (como os fãs da trupe são chamados), especialmente universitários, encantados com aqueles palhaços felizes em pedras mais altas, com papéis de realejo trazendo sorte, com camaradas d’água vivendo à sua maneira, com lembranças do anjo mais velho que duravam até a ultima respiração, com opostos se distraindo e dispostos se atraindo.
Agora, o teatro está menos mágico, os tons coloridos foram substituídos por cinza, os trocadilhos infelizes continuam e as críticas sociais são rasas e ainda mais pretensiosas. O disco não é ruim, mas também não empolga. Como há uma dose bem menor de romantismo, que tanto apetece a platéia da trupe, pode decepcionar. Mas, por esse mesmo motivo, pode trazer novos ouvintes.
“Amadurecência”, uma poesia dispensável que marca a passagem entre as fases do grupo, abre o álbum. Não poderia deixar de registrar que a frase “com outros olhos” é repetida várias vezes. Agradeço o merchan.
Na seqüência, músicas já conhecidas pelo público, em novas versões. Detestei quase todas da primeira vez que ouvi, por ter lembrança delas sendo tocadas ao vivo ou em MP3 acústicas que rolaram na web, mas agora gosto bem mais.
Na ordem: “O Mérito e o Monstro” – mais rock’n’roll, um belo acerto -, “Cidadão de Papelão” – música pensada para esse álbum e uma das minhas favoritas, que já tocava nos últimos shows da primeira turnê – e “Pena” – música já batida, em versão pouco inspirada, com efeitos desnecessários, não conseguindo trazer nem um pouco da força que a canção tem ao vivo.
Também conhecidas do público, “Sonho de uma flauta” – já disponibilizada pelos fãs em acústico, agora com arranjos melhores, mais emocionante e com uma alteração boba na letra, quando diz “sei que toda mãe é santa, sei que a incerteza traz inspiração”, ao invés de “(…) toda mãe é santa, mas a incerteza (…)”, mas que poderia ficar melhor se conseguisse dar a sensação de um sonho, lúdico, coisa que não chega nem perto – e “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” – samba gostoso, com boa letra, divertida e bem-humorada, talvez a melhor canção do álbum.
Das novas, gosto muito de “Xanéu Nº5” – crítica à televisão, com participação de Zeca Baleiro (sim, o encontro perfeito, dirão tanto os que odeiam quanto os que adoram!) -, de “Abaçaiado” - música bem gostosa, que tem traços de “Camarada d’Água” e de “Zaluzejo” e traz um tom nordestino ao disco, com a participação do Silvério Pessoa – e “Reticências…” – que traz mais elementos circenses à música e tem uma surpresa escondida ao seu final.
Fiquei indiferente às outras músicas, como “Sina Nossa” e “Criado Mudo”, bem dispensáveis ao meu ver.
Não gosto tanto das vinhetas desse álbum quanto gostei das do anterior. As que se destacam são “#@$!@” e “Alguma Coisa”, especialmente a primeira – que consegue, no álbum, ter a energia que tem no palco.
A produção do disco está infinitamente melhor. O CD, independente, é vendido em duas versões: só o CD, sem arte, por R$5,00, e com encarte, por R$10. A capa do disco e o encarte são bem bonitos – assim como o novo figurino e cenário, possuem elementos de Sandman, quadrinhos de Neil Gaiman, e das obras de Salvador Dalí -, como você pode ver acima. Também dá para baixar tudo de graça, na Trama Virtual - onde o primeiro CD também está disponível. Boa, TM!
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Com esse post e com os outros dois da série, quebro uma promessa pessoal. A antiga assessoria de imprensa do grupo cometeu tantos deslizes comigo quando tentei fazer uma matéria com eles para um programa de TV que prometi nunca dar espaço algum ao Teatro Mágico. Felizmente, até isso mudou e dei uma segunda chance. Não me arrependi nem um pouco.
E, como você já notou, essa é a estréia do “Estúdio OutrOs OlhOs”, coluna que sempre dará espaço para artistas independentes que eu gostar. Já dava esse espaço no Podcast, mas como costumo demorar séculos entre um podcast e outro, agora vira coluna no blog também. Espero que você goste das minhas indicações musicais e que também sugira nomes, no blog(arroba)outrosolhos.com.br.
Estréia hoje, em todo o país, o filme “Era uma Vez…”, nova produção do diretor Breno Silveira, de Dois Filhos de Francisco. Eu já assisti, e gostei.
Postei sobre o filme há algum tempo, disse que não entendia qual o objetivo de se criar uma nova versão de Romeu e Julieta e fiquei receoso com relação a sua qualidade - apesar de botar fé no trabalho do diretor, que encarava esse filme como a produção de sua vida.
Pois bem. Assisti ao filme duas vezes já, em cabines. E afirmo: Breno mostra o que sabe fazer de melhor, trabalhar sentimentos sem cair na pieguice - não espere um filme sobre violência, pois não é. Naturalmente, a violência dos morros cariocas está presente e é determinante para a trama, mas não é seu foco. Esse papel fica para o amor dos protagonistas, um acerto, que também leva ao maior erro do filme: O pior de “Era uma Vez” vem logo de sua inspiração: ao atualizar a trama de Romeu e Julieta, o filme acabou engessado à história que lhe deu origem.
As atuações são boas (Thiago Martins - nascido no Vidigal e ainda morador de lá - e Vitória Frate estão muito bem, assim como Rocco Pitanga), a trilha sonora - assinada por Carlinhos Brown e Marisa Monte - foi bem escolhida, a fotografia também agrada e a direção de Breno Silveira imprime um bom ritmo ao filme. Já o roteiro…
A história do vendedor de quiosque Dé (Thiago), morador do morro do Cantagalo, que se apaixona pela patricinha Nina (Vitória) e encontra a questão social no meio do caminho entre Ipanema e a favela, é contada através de uma coleção de clichês. Talvez menos do que eu esperasse (ok, eu esperava que o filme fosse ter coisas bem patéticas), mas em grande quantidade. O bom é que eles funcionam e a história engrena. Você se envolve, torce pelos protagonistas, quer que eles fiquem juntos, acredita que aquele amor pode dar certo, fica aflito pelo que pode acontecer… Até que chega a meia hora final e o roteiro perde qualidade na velocidade da luz.
Sério, gostei muito filme, até chegar no fim e todos os personagens agirem feito idiotas, tomando as decisões mais burras e improváveis, apenas para que se chegue ao final apoteótico de Romeu e Julieta. Isso acontece, mas da pior forma possível. Eu só pensava: o filme estava bom, por que esse final tão forçado, por quê??
Eu participei da equipe de divulgação do filme, então pude ver reação bem diferentes, dependendo do público. Em uma das sessões, para “formadores de opinião”, a risada foi coletiva nas cenas finais. Por outro lado, nos comentários aqui do blog, pessoas que já assistiram ao filme falam dele com toda paixão do mundo.
Entendo ambos. Dá realmente para se apaixonar por “Era uma vez…”, que é um belo filme - e, para mim, é um tanto surpreendente em seu desenvolvimento (até você lembrar de Romeu e Julieta e falar: “putz, será esse o final” e acertar). Mas também dá para rir do desfecho inverossímil e de como os meios surgem apenas para que o fim seja possível, com os personagens deixando de agir naturalmente.
Tem quem ame, tem quem odeie “Era uma Vez…”. Eu gostei, apesar dos pesares. No mínimo, vale o ingresso.
Fazia muito tempo que não publicava um Mercado Blogueiro, mas essa edição da coluna vem para compensar, com várias notas exclusivas, em primeiríssima mão.
Inventamos a Polvora!
A principal delas é o lançamento da Polvora!, consultoria em mídias sociais que é fruto da parceria entre a BlogContente o Grupo RMA, consagrado graças a seu trabalho com assessoria de imprensa. Dessa notícia eu também faço parte – então não espere imparcialidade, certo?
Foi assim que tudo começou: Durante a Campus Party, o Alexandre Inagaki, o Edney Souza, o Ian Black e eu lançamos a Blog Content, uma consultoria pequenininha especializada em blogs e mídias sociais, somando as competências e experiências dos quatro. Esperávamos que fosse dar certo, mas não tínhamos idéia de quanto.
A Blog Content cresceu muito e a demanda pelos nossos serviços estava, felizmente, quase maior do que podíamos suportar – afinal, éramos apenas nós quatro trabalhando. Paralelamente a isso, a RMA expandia seus serviços em Social Media, área que vinha crescendo no grupo, mas que precisava de um empurrão para efetivamente decolar.
O empurrão veio da parceria entre as duas empresas. A estrutura e a competente equipe de Social Media da RMA se juntou ao grupo e ao know-how da Blog Content. Nasceu a Polvora!
Já são 13 pessoas na equipe, entre funcionários e sócios-diretores – número que aumentará em breve. Também já temos uma sede física própria – ainda sendo reformada -, em um prédio em Pinheiros, São Paulo, e toda a estrutura para atender a esse mercado em rápido crescimento.
A estrutura e o nome mudaram, mas a missão não: ajudar agências de publicidade, assessorias de imprensa e marcas a fazer comunicação em mídias sociais com muito mais eficiência e, ao mesmo tempo, ajudar a profissionalizar esse novo tipo de mídia.
A Polvora!, assim como a Blog Content, é uma empresa de comunicação social nativa da web, criada por pessoas que conseguiram destaque nesse mercado. Ou vai dizer que você nunca ouviu falar no Interney ou no Pensar Enlouquece?
Do lado da RMA, veio pessoal nativo do mundo corporativo, o que nos permite, agora, oferecer serviços B2B (Business to Business), além de B2C (Business to Consumer). Mas não se engane, o Jair e o Mario vieram desse mundo, mas também blogam há algum tempo…
Na equipe que veio da RMA ou foi contratada já para Polvora! estão pessoas queridas e bastante competentes, como o Fugita, o Tiago, o Tuca, o Graveheart, o Fernando, o Tesore e as “menininhas” do grupo, Claudia e Talita.
A empresa será lançada oficialmente em breve – nem o site oficial está pronto ainda! -, mas não pude deixar de contar aqui em primeira mão. Até agora, apenas tínhamos contado sobre a Polvora! a alguns amigos blogueiros – e uma ou outra informação já tinha vazado na web. A festa de lançamento acontecerá no final de julho em São Paulo.
Ian Black deixa a Blog Content; empresa passa a focar em conteúdo
Não, o início da Polvora! não significa o fim da BlogContent. E aqui vem a segunda nota, da qual também faço parte: a Blog Content mudou.
Agora, nela, cuidamos apenas de produtos editoriais. Portais de blogs, blogs, redes… Tudo que se referir a conteúdo editorial. Com isso, expandimos nossos horizontes e damos uma atenção especial ao que consagrou boa parte da equipe, com o Interney Blogs e outros projetos.
O meu querido Ian Black não faz mais parte de nosso time. Mas, não, não houve briga, nem nada do tipo. Pelo contrário.
Assim como eu, o Inagaki e o Edney, ele também foi pego de surpresa pelo tamanho que a “brincadeira” de ter uma consultoria tomou. Todos nós tivemos que mudar muito nossas vidas – para você ter idéia, deixei a carreira jornalística em segundo plano e recusei até convite para trabalhar em um grande jornal -, mas a dele estava definida demais para que houvesse tamanha mudança.
Há pouco tempo, enquanto a Blog Content ainda era apenas um desejo entre a gente, ele começou a trabalhar na agência Live Ad. E o rapaz adora aquela empresa como se fosse a casa dele - o que é completamente compreensível: já fui lá algumas vezes e conheço as pessoas que lá trabalham. Dá realmente vontade de não sair de lá, de tão legal que é.
Ele ama o trabalho, adora as pessoas da equipe e ainda está desenvolvendo um projeto muito, muito bacana com blogs – que em breve você certamente saberá. Como deixar isso de lado?
Ele levou os dois trabalhos – Live e Blog Content – em paralelo enquanto deu, mas, acredite, é trabalho demais. Então ele teve que escolher entre os filhos e ficou com o que está prestes a nascer, na Live.
A outra filha, a Blog Content, virou afilhada e ele vai visitar sempre que pode. Nós, óbvio, recebemos de braços abertos e sorriso no rosto!
Live e Blog Content continuam se dando muito bem. Também, fala sério, com equipes e mentalidades tão legais, como não se dariam?!
Uma nova IsFree
O portal IsFree, comandado pelo Felipe Neto, voltará ao ar às 00h de hoje, com belas novidades. Depois de enfrentar problemas com o domínio, o que deixou o site indisponível por mais de dois meses, ele vem renovado e com novo nome e endereço: a IsFree agora é IsFree Pop (www.isfreepop.com). O logotipo é esse acima, que você vê em primeira mão.
E tem mais: em breve, além das séries, o portal também trará conteúdo sobre cinema. Alguém tem dúvida de que fará ainda mais sucesso? Eu não tenho, e desejo toda sorte para o Felipe e para a jovem equipe do site. Vocês sabem, a gente sempre levanta mais forte depois dos tombos. Será o caso!
Mercado em movimento:
- A Dani Koetz mudou para São Paulo, teve uma rápida passagem pela agência Cubo e acaba de chegar na Garage IM, onde trabalhará no planejamento.
- O Guilherme Valadares foi outro que mudou para Sampa e está firme e forte na Cubo.
- A Dudinka, braço social media da One Digital, está com força total, sob o comando da Marina Santa Helena. Junto a ela, estão a Carol Mancini e a Gabriela Bianco.
- A equipe de conteúdo da Riot ganhou um reforço. Gabriel Tonobohn agora faz parte do time gerenciado pelo Wagner Fontoura.
- A Babi Franzin, no atendimento, e o Luiz Yassuda – ex-Fischer America -, no planejamento, agora também fazem parte da agência Riot.
- Já a Bruna Calheiros, a Baunilha, saiu da Riot e foi para a agência Bullet, onde também trabalha o Octávio Maron.
Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:
O caminho da comunicação passa pelos blogs?
Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.
As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!
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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003